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"DIVIDIR PARA MULTIPLICAR"

 

Durante a minha infância e parte da adolescência, a frase acima sempre chamava minha atenção, pois, pela lógica matemática, não fazia sentido  dividir para multiplicar, afinal dividir era algo que diminuía e multiplicar era algo que fazia aumentar. Sendo assim, "Dividir para multiplicar" parecia algo metafísico ou espiritual  e eu achava que ou alguém estava  me ensinando errado ou tentando me enganar. 

Entretanto, com o passar dos anos  e ainda um pouco descrente, fui entendendo que, no  jogo dos verbos,  havia um sentido maior no qual estava presente a força da solidariedade, da união.  Eu não conseguia ainda por esse sentido em palavras, até que chegou a pandemia e o dividir para multiplicar tornou-se um mantra.

Apesar da minha  formação em publicidade e atuação por anos  em trade marketing, foi no ambiente profissional da educação que entendi e vivenciei a importância de dividir para multiplicar. A COVID-19  provocou o  fechamento dos espaços de aprendizagem  e mandou todos os professores e alunos para o home office.  Produzir conteúdo , trabalhar e estudar de casa pareciam ser um conjunto de atividades  maior que os 12 trabalhos de Hércules ou escalar  o Monte Everest sem roupa apropriada. Naquele momento, os professores tinham pouca interação com a tecnologia em rede e os alunos estavam inseridos nela a muito mais tempo, ou seja, era uma guerra perdida e o  horror estava posto diante das telas:, qualquer que fosse o dispositivo. 

Como enfrentar a produção de conteúdo para crianças e adultos, sem nenhum preparo técnico, ou conhecimento de softwares, aplicativos tão comuns ao mundo virtual? Foi aí que os professores fizeram com que dividir se tornasse uma operação de  multiplicação. Eles começaram a se solidarizar e a dividir algo precioso entre si: o conhecimento!  Pois foi a partir da divisão, do compartilhamento de ideias, das famosas "dicas" nos grupos de conversa ponta a ponta e tantas outras atitudes, que os educadores e professores mostraram para a sociedade que  aprendem rápido e que nunca param! 

E para que essa dinâmica aconteça, é preciso di-vi-dir o conhecimento de forma inclusiva, diversificada, ou seja: com didática, de um jeito que todos pudessem, dentro dos próprios ritmos, aprender.

No mês de março de 2021 fez 1 ano que as escolas e universidades fecharam seus espaços físicos  e por causa dos esforços dos professores não houve "cancelamento" do aprender.  Atualmente, muitos professores transpuseram as barreiras tecnológicas e com suas habilidades desenvolveram nos seus alunos o engajamento necessário para que o conteúdo das disciplinas  fosse aplicado satisfatoriamente e expandido entre eles.  

Não descarto aqui o apoio tecnológico que muitas plataformas ofertaram gratuitamente (e ainda ofertam) para que os docentes pudessem ter mais recurso didático e deixar as aulas mais interessantes  para os alunos  e sem elas o processo seria mais demorado.

Porém, é necessário entender que há uma mensagem importante para o cenário atual de todos os que trabalham com marketing e comunidades. Na base da formação do professor há uma semente muito importante, que poucos enxergam mas que é o solo fértil  de toda comunidade, o sentido de agrupamento, junção, interação em torno de um assunto. No nosso caso é o conteúdo dado aos alunos. 

Para mim foi na educação que encontrei os pontos mais importantes para exemplificar, essencialmente, o gerenciamento de comunidade: informação, trocas, engajamento, presença e relacionamento com o objetivo final (passar de ano, evoluir, seguir adiante, pertencer).

E depois de muitos anos, e sabendo que matemática nunca foi minha matéria predileta, confesso que dela veio a minha maior lição, depois da pandemia: dividir conhecimento, para poder potencializar os talentos e multiplicar!

Até a próxima!

 

 

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